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segunda-feira, 9 de maio de 2011

B7. Perfis de leitores e projecto de leitura para a turma

Roteiro de Trabalho – Dossiê 2
B. Aprofundamento de Conhecimento sobre cada uma das Competências Específicas
B7. Perfis de leitores e projecto de leitura para a turma
  • Ler é compreender, contudo nem sempre é uma tarefa fácil. Para nos tornarmos bons leitores devemos aplicar estratégias de leitura que nos permitirão progressivamente melhor compreender o texto literário ou não literário lido. O desenvolvimento da competência leitora deverá, pois, evoluir lentamente, como resultado da prática continuada de leitura e de actividades escolares afins.
  1. Para definirmos um plano de leituras partimos da diagnose de dificuldades da turma, feita no início do ano lectivo, através de um Questionário de Leitura e da Caracterização da Turma constante no Projecto Curricular de Turma. Por exemplo, no oitavo ano, e por se tratar de uma faixa etária, com interesses e comportamentos muito variados e à descoberta de si, podem ser abordadas leituras como: Dietas e Borbulhas, O Álbum de Clara, A Ana passou-se!, A Sara mudou de visual, Parabéns, Rita!, entre outros da Colecção Profissão Adolescente, de Maria Teresa Maia Gonzalez; Lua de Joana, Maria Teresa Maia Gonzalez; Herdeiros da Lua de Joana, Maria Teresa Maia Gonzalez; Diário de Adrian Mole, de Sue Towensend;  Uma Questão de Cor, de Ana Saldanha…
A este propósito leia-se:
      «Ainda em relação ao corpus textual, o novo programa enumera os critérios que deverão ser considerados por cada professor, afirmando-se este como agente do desenvolvimento curricular também pela selecção de textos, quer literários e paraliterários, quer não literários, embora não deva deixar de ter como referência os textos integrados no Plano Nacional de Leitura. (PNL).
     Atendendo que o programa veicula a relação da aprendizagem do Português como língua com a pretensão da elaboração de uma consciência cultural, por parte dos alunos, através da modelização de componentes culturais, assumindo particular relevância o texto literário, a assunção da identidade do professor de português como um professor culto em termos literários apresenta-se como uma recomendação e uma mais-valia à promoção da qualidade do ensino da língua.»

http://odiliamachado.blogspot.com/2010/02/reflexoes-pessoais-1-modulo-de-formacao.ht


  1. c) Interpretação de significados (explícitos, vários níveis de sentido); compreensão de linguagem figurada e dos efeitos dos recursos expressivos.

             «Estupidez (como contornar a)», in Uma Questão de Cor de Ana Saldanha


  1. Indica o tema do excerto.

  1. Faz o retrato físico e psicológico da passageira que dialoga com Nina, exemplificando as tuas afirmações com expressões do texto (indica, no mínimo, dois traços físicos e psicológicos).




  1. A atitude de Nina em relação ao primo vai sofrendo alterações ao longo do excerto. Qual a razão dessas mudanças de atitude / sentimentos?

  1. Na tua opinião, o comportamento adoptado pelos colegas de Nina e a posição assumida pelos passageiros do autocarro é aceitável?

  1. Faz o levantamento no excerto apresentado de exemplos de:



Metáfora
Múltipla Adjectivação / Uso Expressivo do Adjectivo

Ironia

Antítese










  1. O autor utiliza estes recursos expressivos, como ferramentas que atribuem maior expressividade ao texto. Concordas com esta afirmação? Justifica a tua opinião.


  1. Identificar níveis de competências numa turma de um mesmo ano.

8ºC

  • Nível 1 – 4 alunos. Estes alunos provêm de um meio sociocultural desfavorecido, revelam inexistência de experiências culturais que permitam uma cabal análise contrastiva de textos e, ainda, pobreza de hábitos de leitura. Quando lêem, preferem acção (tensão), emoção (drama). Trata-se de uma leitura experiencial, vivencial. A resposta ao texto é subjectiva e não reflexiva. Exprimem-se de uma forma básica acerca do livro (aborrecido, triste, engraçado…). Um dos alunos, da turma, teve como língua materna o francês.

  • Nível 2 – 7 alunos. Os alunos são capazes de ler, compreender, interpretar e apreciar pequenos textos literários simples e são capazes de reportar a sua experiência pessoal de leitura e os seus gostos. Interessam-se por situações, acontecimentos e emoções que reconhecem. Acham que a literatura deve ser realista. Estes leitores são capazes de reconstruir a acção da história, identificar o tema e descrever as personagens.

  • Nível 3 – 4 alunos. Estes leitores, mais capazes, realizam sínteses da informação no decurso da leitura, o que revela um processo de selecção de informações essenciais que conduz a uma compreensão mais clara do texto. Para além disso, estes leitores revelam grandes capacidades de relacionamento das obras lidas com as suas experiências de vida, ao nível literário (outras obras lidas) e cultural (outras experiências artísticas) permitindo mobilizar conhecimentos e proceder à almejada intertextualidade endo e exoliterária.

B8. Dimensões da leitura e diversificação de leituras

Roteiro de Trabalho – Dossiê 2
B. Aprofundamento de Conhecimento sobre cada uma das Competências Específicas
B8. Dimensões da leitura e diversificação de leituras
 1. Descritores de desempenho / 2. Actividade (actividades diferentes para cada dimensão da leitura)


Dimensões

Descritor de Desempenho

Actividade
Técnica

Utilizar, de modo autónomo, a leitura para localizar, seleccionar, avaliar e organizar a informação. (pág.123)

·        Pesquisa em diferentes fontes de informação sobre a vida e obra do autor (biografia e bibliografia).
Conhecimento

Interpretar textos com diferentes graus de complexidade, articulando os sentidos com a sua finalidade, os contextos e a intenção do autor. (pág.123)

· Leitura de textos informativos e científicos.(Aplicação de Testes Intermédios e Provas de Exame - 9ºano – contendo textos de manuais de Geografia e História, por ex.)

Fruição estética
Ler por iniciativa e gosto pessoal, aumentando progressivamente a extensão e complexidade dos livros e outros materiais que selecciona. (pág.124)

·        Contrato de leitura
(apresentação de 3 livros por trimestre – leitura autónoma e recreativa)
·        Clubes de Leitores (BE)


3.  «No NPPEB a leitura é uma competência perspectivada nas suas múltiplas
dimensões: como técnica, como conhecimento e como fruição estética. Por um
lado, há uma dimensão objectiva do trabalho sobre a leitura, que inclui as
estratégias de leitura que o aluno deve dominar e utilizar de forma cada vez
mais autónoma e adequada ao objectivo de leitura, bem como o conhecimento
sobre os textos – literários e não-literários, que os alunos devem mobilizar para
poderem compreender e falar do que lêem. Por outro lado, há uma dimensão
subjectiva, que apela à fruição do texto como experiência de crescimento
pessoal.»

Proposta
  «Discutir as vantagens e desvantagens de trabalhar todas as
dimensões da competência de leitura a partir de um mesmo texto,
considerando que o Programa preconiza oportunidades de
aprendizagem variadas, o contacto com uma grande variedade de
textos de tipos e temas distintos, a leitura com objectivos distintos e
percursos diversificados de leitura. (Páginas 147-148).»

   (TESE) Atendendo a que se pretende, de acordo com a filosofia dos NPPEB, que os discentes contactem com distintos  tipos de textos de temática variada, seguindo percursos de leitura igualmente diversificados, de acordo com os objectivos que presidem a essas mesmas estratégias de leitura (nas suas dimensões técnica, conhecimento e fruição estética) consideramos altamente rentável o trabalho destas  dimensões da competência da leitura partindo de textos distintos, por forma a diversificar o contacto com essa mesma tipologia textual diferenciada e enriquecimento cultural e pessoal.

   Desta forma, consideramos ficar mais claro para os alunos a dimensão objectiva do trabalho sobre a leitura, na sua dimensão técnica e como fonte de conhecimento (através do texto não literário) e a dimensão mais subjectiva, promovendo a leitura como experiência estética e fonte de crescimento pessoal, através do contacto e análise do texto literário.

(ANTÍTESE) Proposta de uma mesma actividade para trabalhar as várias dimensões da leitura:
                       - Leitura e análise de uma BIOGRAFIA, permitindo o tratamento evidenciado das três dimensões da leitura (técnica, conhecimento – contexto histórico - social, fruição estética) numa mesma aula, desenvolvendo a competência da leitura.
                            * Escolha de apresentação de uma BIOGRAFIA (Expresso. Gandhi, Mandela, JFK, Fernando Pessoa, Martin Luther King,…).

VANTAGEM: Economia de textos e tempo para o desenvolvimento da competência da leitura nas suas três dimensões
DESVANTAGEM: Empobrecimento do conhecimento de textos de temática e de tipologia diferenciada.

OUTRO EXEMPLO de actividade: Apresentação de um romance histórico (Exs: Literatura portuguesa - O Códex 632, José Rodrigues dos Santos - Viagem de Cristóvão Colombo à América; Literatura universal: Os Pilares da Terra, ken Follet – Idade Média em Inglaterra).



Para saber mais:
Exemplos de propostas de análise de diferentes tipos de texto (poesia, dramático e argumentativo)


SÍNTESE J:

Após a apresentação dos trabalhos referentes ao texto em causa (vide link), a partir da partilha de práticas, e considerando as diferentes fases que o processo da leitura deverá comportar (pré-leitura, leitura e pós-leitura), foi possível verificar que, por vezes, nós, os professores, nem sempre estamos despertos para a importância da preparação do momento anterior à leitura (pré-leitura), nem para a necessidade de diversificação de experiências de leitura.
     Assim, apresentam-se como imperativos:
     - a pluralidade de experiências para motivar para a leitura;
     - a necessidade de definição de objectivos precisos que orientem a leitura dos alunos;
     - a organização de actividades de leitura que compreendam as três etapas fundamentais: pré-leitura; leitura; pós-leitura.
    - a diversificação da tipologia textual (sublinhe-se texto:  literário e não literário) proposta aos alunos de acordo com o objectivo que preside a essa tarefa de leitura.


domingo, 8 de maio de 2011

DIVULGAÇÃO DO CONTO CRIADO PARA O CONCURSO NACIONAL DA NESTLÉ "APETECE-ME TOMAR O PEQUENO-ALMOÇO" ESCRITO POR UMA ALUNA DO CLUBE (MARIA MACHADO -6ºC) DRAMATIZADO PELOS ALUNOS DO CLUBE











FOTOS DA SESSÃO DE NARRAÇÃO E INTERACÇÃO (6ºC E CLUBE LEITORES VIVOS PARA 3º E 4º ANOS DA EB1 MONTES HERMÍNIOS) DO CONTO CRIADO (POR MARIA MACHADO), INSPIRADO EM CASOS REAIS DA NOSSA ESCOLA, E DRAMATIZADO PELOS ALUNOS DO CLV.

segunda-feira, 14 de março de 2011

B3 : CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA: MOBILIZAÇÃO PARA OUTRAS COMPETÊNCIAS.

DOSSIÊ 2
B. APROFUNDAMENTO DE CONHECIMENTO SOBRE CADA UMA DAS COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS.
B3: CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA: MOBILIZAÇÃO PARA OUTRAS COMPETÊNCIAS.

PROPOSTA DE TRABALHO:

Conteúdo ou desempenho
Mobilizável para:
Relações semânticas entre palavras (homonímia, antonímia, meronímia, etc.)
Desenvolvimento de processos
inferenciais de interpretação em
contexto de leitura.
Propriedades prosódicas (intensidade, entoação, etc.)
Adequação e monitorização da entoação e da colocação da voz, em contexto de apresentação formal.
Análise morfológica de palavras (distinção entre palavras formadas por derivação e por composição).
*Aperfeiçoamento do desempenho  na 
  produção e recepção de enunciados em
  contextos de oralidade e de escrita.
Sistematização das propriedades dos pronomes pessoais átonos.
*Adequação a vários contextos
  discursivos (oralidade)
Identificação de tipologias textuais.
*Facilitar os desempenhos em contexto
  de leitura.
*Adequação a intencionalidades e
  contextos específicos (na escrita e na
  oralidade).
Distinção entre citação, paráfrase e plágio.
*Desenvolvimento de pontos de vista ou
  mobilização de dados recolhidos em
  diferentes fontes de informação, em
  contexto de escrita.
*Reconhecimento de diferenças,
  semelhanças ou a novidade entre
  textos, em contexto de leitura.
Modalidade
*Adequação  de expressões discursivas
  para introduzir observações /
  apreciações, em contexto oral.
*Reconhecimento de estratégias
  que permitem uma leitura mais
  eficiente e crítica dos diferentes
  enunciados, em contexto de leitura.



DÔSSIÊ 2. ROTEIRO DE TRABALHO B5 . A PRÉ-LEITURA

ROTEIRO DE TRABALHO
B.  APROFUNDAMENTO DE CONHECIMENTO SOBRE CADA UMA DAS COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS
B5: A PRÉ-LEITURA
«O aluno deve tomar consciência e aprender a pôr em prática três etapas fundamentais do acto de ler: pré-leitura, leitura e pós-leitura.
i.                    Na pré-leitura, o professor deve privilegiar a mobilização de conhecimentos prévios dos alunos que se possam articular com o texto, antecipando o seu sentido.»
                                                                                                 (pág. 70, NPPEB)
Sabe-se hoje que um bom leitor parte do conhecimento que tem do mundo e dos textos e integra esse conhecimento prévio com o material do texto.
Utiliza - o para antecipar sentidos e para formular hipóteses sobre o texto.
Fundamentação de objectivos pedagógicos
«A leitura alimenta-se de outras leituras.
 O papel da motivação
Em contexto escolar, motivação e envolvimento articulam-se grandemente com a atribuição de sentido às tarefas que são realizadas – saber por que se lê e implicar-se no sucesso da actividade. (…) As competências em leitura desenvolvem-se de forma mais consistente quando os professores recorrem a contextos de ensino e aprendizagem que coloquem o aluno perante tarefas claras e concretas, orientadas para propósitos com sentido, e que impulsionam o aluno a fazer escolhas de forma autónoma.
Neste sentido, deve-se também entender que um dos motores da motivação assenta no par novidade/reconhecimento: a conjugação da leitura de textos fáceis e difíceis; a conjugação de diferentes formas de organizar a leitura (grupo-turma; pequenos grupos, pares, individual (…)»
«O papel da memória
O contacto continuado com os textos favorece o fornecimento de relações e de redes entre os textos, nomeadamente ao nível dos elementos que os aproximam ou que os separam                 (semelhanças e diferenças em termos de estrutura, em termos temáticos, ou outras). Forma-se um sistema de ecos (Rouxel, 1996) que desenvolve as capacidades intelectuais, apoiando os processos de compreensão e de interpretação e a progressão, possibilitando a leitura de textos com dimensão e complexidade crescentes. O conhecimento assenta na memória e um dos elementos mais importantes na aprendizagem reside na construção de imagens mentais e de esquemas que vão integrando e consolidando os conhecimentos adquiridos: estes  conhecimentos são activados sempre que nos encontramos perante uma nova situação de leitura e são enriquecidos perante cada elemento novo.» (G.I.P.P.E.B.- Leitura)
ACTIVIDADE
PROMOÇÃO DA LEITURA DA OBRA O RAPAZ DO PIJAMA ÀS RISCAS, JOHN BOYNE. OBRA INDICADA PARA O CONCURSO NACIONAL DE LEITURA
(8º/9ºano – 3º Ciclo)
MOTIVAÇÃO:
Objectivo (propósito pedagógico)
Estimular a leitura, despertar a curiosidade e o interesse, bem como a compreensão do contexto histórico político e social retratado na obra citada;
Divisão da turma em dois grupos:
·         Um deles analisa as imagens sugeridas, na sala de aula, e faz o levantamento de hipóteses/expectativas de leitura e atribui uma legenda a cada uma delas (intertextualidade exoliterária);
·         O mesmo grupo analisa os elementos paratextuais da obra indicada (capa, título, contracapa, imagem, com o mesmo objectivo…)
·         Outro grupo visiona, apenas e previamente, o filme/trailor O Rapaz do Pijama às Riscas, Mark Herman (Reino Unido 2007), na Biblioteca (BECRE)
(ou eventualmente o filme A Vida é Bela, protagonizado por Roberto Benigni http://www.youtube.com/watch?v=5GnpBvKvZsk  , que recebeu o Óscar 1999 EUA, melhor actor, melhor filme estrangeiro e melhor música).
·         Tempo da actividade igual para os dois grupos.
Na aula seguinte, apresentam as suas hipóteses de leitura, partilham ao grupo – turma  as suas experiências  de estímulo para a leitura,  face às formas de arte utilizadas: fotografia e filme (intertextualidade exoliterária, isto é, com outras formas de arte).
·         Actividade orientada por um guião (ex: levantamento de características e pormenores de vestuário, aspecto físico das pessoas, descrição de espaço -» compreensão posterior do espaço social da obra…)
PRÉ-LEITURA
Objectivo:
Estabelecer relações e redes entre textos de  matrizes discursivas e tipologias diversas - texto literário e texto não literário (media), (“sistema de ecos”, Rouxel, 1996) com o intuito de relacionar conhecimentos sobre a mesma temática e activar a memória perante  uma nova situação de leitura.
Divisão da turma nos mesmos dois grupos:
·         Um grupo lê um excerto do Diário de Anne Frank (relato verídico de uma jovem judia que viveu os horrores da perseguição nazi durante a Segunda Guerra Mundial);

Querida Kitty:

Sinto como que marteladas na cabeça! Nem sei por onde começar. Sexta-feira (Sexta-feira Santa) à tarde, e no sábado também, fizemos vários jogos. Esses dias passaram-se sem novidade e bastante depressa. No domingo pedi ao Peter que viesse aqui e mais tarde subimos e ficámos lá em cima até às seis horas. Das seis e quinze até às sete horas ouvimos um belo concerto de música de Mozart; do que mais gostei foi da «K'eine Nachtmusik». Não consigo escutar bem quando há muita gente à minha volta, porque a boa música comove-me profundamente.

                                               

Domingo à noite o Peter e eu fomos ao sótão. Para estarmos sentados confortavelmente, levamos umas almofadas que pusemos em cima de um caixote. O sítio é estreito e estávamos muito apertados um contra o outro. A Mouchi fazia-nos companhia. Assim havia quem nos vigiasse. De repente, às nove menos um quarto, o sr. van Daan assobiou e perguntou se nós tínhamos levado uma almofada do sr. Dussel. Saltámos do caixote abaixo e descemos com as almofadas, o gato e o sr. van Daan. Por causa da almofada do sr. Dussel desenrolou-se uma verdadeira tragédia. Ele estava desaustinado por termos levado a sua «almofada da noite». Receou que a enchêssemos de pulgas, fez cenas tremendas por causa de uma reles almofada. Como vingança, o Peter e eu metemos-lhe duas escovas duras na cama. Rimo-nos muito daquele pequeno «intermezzo». Mas o divertimento não havia de ser de longa dura. As nove e meia o Peter bateu à porta e pediu ao pai que subisse para lhe ensinar uma frase inglesa muito complicada.

- Aqui há gato - disse eu à Margot. - Ele não está a dizer a verdade.

E tinha razão. Havia ladrões no armazém. Com rapidez, o pai, o Peter, o sr. van Daan e o Dussel desceram. A mãe, a Margot, a srª van Daan e eu ficamos à espera. Quatro mulheres cheias de medo não podem fazer outra coisa senão porem-se a falar. Assim fizemos. De repente, ouvimos, lá em baixo, uma pancada forte. Depois, silêncio. O relógio deu dez menos um quarto. Estávamos lívidas, muito quietas e cheias de medo. Que foi feito dos homens? O que é que significava aquela pancada? Haverá luta entre eles e os ladrões? Dez horas. Passos na escada. Entra primeiro o pai, pálido e nervoso, depois o sr. van Daan.

- Fechem a luz. Subam sem fazer barulho. Deve vir a polícia.

Agora não havia tempo para medos. Fechámos a luz. Ainda peguei no meu casaquinho e subimos.

- O que aconteceu? Depressa, conta! - Mas não havia ninguém que pudesse contar, porque os senhores já tinham descido outra vez. Às dez e dez voltaram, dois ficaram de guarda na janela aberta, no quarto do Peter. A porta do corredor ficou fechada. A porta giratória também. Sobre o candeeiro lançámos uma camisola. (…)»
                                                                        in Diário de Anne Frank

·         Outro grupo lê o artigo da Revista Única, in Expresso, 12 Março 2011: “Auschwitz, manual de Instruções”, por Clara Ferreira Alves (pp.42-46). (Campo de concentração onde os Nazis mataram 1.3 milhões de seres humanos há 60 anos atrás, agora visitado pela colunista do Expresso).
·         Será  atribuído o mesmo tempo a cada grupo;
·         Na aula seguinte, partilham a experiência de pré-leitura ao grupo – turma.
·         Ambas as experiências deverão ser orientadas por um guião de leitura (Ex: levantamento das condições de vida dos judeus; marcas de perseguição e discriminação; marcas de sensações de medo, insegurança; faixa etária das personagens – tópicos que permitam a análise contrastiva com a obra O Rapaz do Pijama às Riscas,... -» reconhecimento).



N.B. Consultar para saber mais: